quinta-feira, 18 de junho de 2015

DIRETOR DA FUNDAÇÃO JOSÉ AUGUSTO NO SERIDÓ




Rodrigo Bico diretor da Fundação José Augusto, prestigiara programação junina em São João do Sabugi.  Antes ele passara em Caicó para reunião com a direção do Centro Cultural Adjuto Dias e o engenheiro que está elaborando o projeto de prevenção a incêndio, que será encaminhado para o corpo de bombeiros.

Rodrigo Bico fará uma visita ao Centro Cultural para avaliar a finalização das obras que já foram concluídas, ainda em Caicó ele realizara uma roda de conversa com artistas para tratar sobre a produção cultural daquele espaço e a reabertura do Centro Cultural.

Na condição de poeta

Na condição de poeta/cordelista, faço o meu protesto, apenas pra realçar que o artista produz arte e não lixo.
Literatura de Cordel
Título: O Meu Protesto
Autor: Agostinho Francisco dos Santos



Eu procurei na cachola
Para tentar entender
O poder que o poder tem
Queria compreender
Mas como não encontrei
Porém não me contentei
Nem vou ficar sem saber

O poder é responsável
E sabe bem dividir
Passa por cima de tudo
Para poder perseguir
Mantendo-se no poder
Em tudo quer se meter
Depois do povo vai rir

Mas ‘tá’ difícil dizer
Porque não sei explicar
E para quem não tem ética
Talvez não vai precisar
Vive só de enrolação
Tem mágoa no coração
Também nunca vai mudar

E por causa do poder
Rachou nosso movimento
Separaram os artistas
Neste presente momento
A cultura ‘tá’ partida
Abriu a grande ferida
Ficando no isolamento

Foi assim que aconteceu
Na cultura de Caicó
O racha’ tava’ previsto
Por causa de um ‘brocoió’
Querendo se promover
Achou que era seu dever
Nos artistas dá um nó

Quem não sabe fazer arte
Devia ser consciente
Deixando para os artistas
Seria mais coerente
Sem qualquer politicagem
Bem fora desta engrenagem
Com visão independente

Nossa casa de cultura
Virou casa sem artista
Tomada pelo poder
Não quero ser pessimista
Como é que funciona?
Pegando apenas carona
Me diga, faça uma lista

No chão que era sagrado
Agora é politiqueiro
Vejo cabo eleitoral
Fazendo só por dinheiro
A arte ficou distante
Isto é horripilante
Vou falar o tempo inteiro

Veja só o que fizeram
Dizendo que é pra mudar
As telas que lá estavam
Logo mandaram tirar
Pra fazer uma limpeza
Mudar a sua beleza
Assim quis justificar

Material reciclável
Não fizeram a diferença
Este foi parar no lixo
Veja quanta indiferença
Toda a arte do ‘Magão’
É feita com papelão
Foi cruel esta sentença

O material dos cenários
Também no mesmo destino
Tudo era aproveitável
Do maior ao pequenino
Dinheiro jogado fora
Foi embora sem demora
Pelo querer do ‘malino’

A pintura do quintal
Perfeita obra de arte
Botaram água de cal
Eu quase tive um infarte
Desrespeitaram ‘Custódio’
Tentando tirar do pódio
Como se fosse um descarte

Na limpeza que fizeram
Tudo foi pro beleleu
Jogaram vasos de barro
Na rua deixaram ao léu
Até parte do arquivo
Pro lixo definitivo
Botaram no fogaréu

Pra quem sabe o que é Cultura
Qualquer peça vale ouro
Um jarro mesmo quebrado
Pro artista é um tesouro
Inda mais se for antigo
Já pode deixar comigo
Até o ano vindouro

A arte não envelhece
Faço assim minha oratória
Gravada no pensamento
Toda sua trajetória
A sua conservação
Nos causa aproximação
Ela conta sua história

Mas outras coisas virão
Faz parte de quem não sabe
Articular, fazer arte
Pois na cabeça não cabe
Peço que tenha cuidado
E se não for bem treinado
Provavelmente desabe

Quero saber, quem me diz?
Se isso é fazer cultura
Dividir e subtrair
E promover a ruptura
Por favor alguém me diga
Porém deixe de fadiga
Qual é a nova postura

‘Inda’ fico encabulado
Olhar poucos apoiar
Tamanha desfaçatez

Vendo tudo desabar
Aplaudir, ficar de pé
Andando de marcha ré
Sem saber se comportar

É missão de cada artista  
A cultura defender
Lutar junto pela arte
Com muito amor e prazer
Defender o nosso espaço
Andar no mesmo compasso
Trabalhando pra valer

Sem fazer politicagem
A arte é coisa divina
Muito bela e popular
Com toda a sua doutrina
Expressão de um ideal
Para o artista é vital
Dos seus olhos é a retina

Não quero atacar ninguém
Faço aqui meu manifesto
Sou artista popular
Estando errado eu contesto
Sou defensor da Cultura
Não quero fazer sisura
Porém faço meu protesto

Agostinho Francisco dos Santos
Poeta/Cordelista
Caicó(RN), 10 de junho de 2015

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Salve a poesia popular!


Cultura a água e cal
guerra anunciada
retrocedendo uma luta
a troco de nada.

Dilacerando um círculo
dividindo em grupos
alterando condutas
gerando disputas.

Politiqueiros infames
cegos por poder,
ordenar, mandar fazer
julgar sem entender.

O que é arte,
o que é lixo,
para os caprichos
de seres incultos?

Escuto os insultos
e não me apavoro,
minha arte aprimoro...

Porque o lixo
me representa,
MAS O LUXO JAMAIS!

Edcarlos Medeiros
Caicó/RN – 17 de junho de 2015.

CASA DA BARBIE




Tenta explicar o conceito de cultura, ou ainda os seus múltiplos conceitos renderia uma tese, mas considerando que a maioria das pessoas já tem noção ou compreensão do que essa palavra designa não vamos seguir essa trilha. Quanto a lixo, se visitarmos os dicionários encontraremos definições relevantes. Por exemplo: lixo é tudo aquilo que perdeu o valor e pode ser jogado fora. E seu uso, no sentido figurado, pode referir-se a escória, ralé.

A seleção natural forçou o homem a pensar e lhe deu poder para não mais precisar competir com outras espécies. Mas, o seu instinto de competitividade impera na espécie humana e no seu habitante, a sociedade.

A sociedade capitalista oportuniza ao homem a buscar de seus anseios. A mais humilde das pessoas, quando consegue comprar sua moradia, seu meio de transporte, sente orgulho de seu trabalho e esforço. Dessa forma, o homem sente-se motivado.

Durante 11 anos com recursos próprios e do ponto de Cultura da Associação União do Sobrado Pe. Brito Guerra, o Sobrado constitui-se Casa de Cultura Popular. Artistas da música, dança, teatro, literatura, pintura, escultura, contação de história, artesanato, culinária encheu o sobrado e sobrou arte no sobrado.

Mais toda essa história reconhecida por todos que passaram pela casa, de todos os recantos do pais, reconhecida por diversas academias, noticiada na imprensa local, estadual e Norte e Nordeste, nos primeiros meses do Governo de Robinson Faria foi tachada de lixo. Os agentes de cultura apagaram a memória de uma trajetória de mais de uma década sem nem consultar os seus produtores. Foi possível ver no lixo a produção das diversas oficinas realizadas na casa, peças de cerâmicas de D. Raimunda de Chico Faísca, a revista preá do acervo da biblioteca (a revista preá tem feito um registro da produção cultural do RN), para o lixão foram painéis, figurinos, materiais selecionados passiveis de reciclagem, brinquedos populares, artistas foram convidados a tirar sua produção considerada lixo para Casa Barbie.

O pensar e o agir do novo Governo através dos gestores daquele espaço, em detrimento dos valores éticos e morais, fere toda comunidade artística de Caicó na sua essência e distorcem o sentido real da existência da produção cultural.

A casa de Cultura de Caicó transformou-se na casa da Barbie, a escalada sem esforço, a lei do mais fácil, onde não cabe mais a produção cultural, para não tira a cadeira do lugar, onde o chão não pode suja de tinta e de cola, onde as paredes não podem mais ter uma pintura que não seja agradável a estética da Barbie, levou os artistas a uma reflexão e definição de novos caminhos.

Os artistas em reunião ontem no Círculo Operário entenderam que são maiores do que o espaço da Casa de Cultura, que espaços podem ser construídos e que a sociedade de Caicó poderá continuar acompanhando a nossa produção em um novo espaço.

Que o governo fique livre para manter a casa da Barbie, com seus candelabros e todas porcelanas no lugar à espera do chá do descaso, com suas bonecas vestidas com modelos combinados com a temática e a ocasião, uniformização da cultura. Seu papel será de produzir em série e larga escala bens culturais, seguindo fórmulas que atendam ao “gosto médio” da população. O trivial, o que agrada a massa, cabe propagar esses produtos, como os hits do verão (“Lepo Lepo” e afins) ou a boneca Barbie, que em pouco tempo serão substituídos por outros sucessos e esquecidos pela maioria das pessoas.

Assim, chamo atenção para uma questão em torno de uma expressão comumente utilizada: lixo cultural. O que vem a ser isso? Voltando ao dicionário, o que dizem sobre a palavra, pode-se falar em produtos de baixa qualidade artística, consumidos ou apreciados pelas camadas populares – e aí pode estar em jogo uma perspectiva elitista perigosa.

Longe de me, acredita em lixo cultural, muito menos em alta ou baixa culturas. Não quero aqui cometer o mesmo erro da casa da Barbie, tachar como menor uma cultura massiva é ignorar a riqueza e a diversidade das subjetividades que podem surgir a partir da experiência estética que cada um extrai dos produtos de massa que consome.

“Não que tudo que seja produzido culturalmente seja válido, longe disso. Mas geralmente quem costuma fazer essa distinção, o faz sob uma ótica extremamente reducionista, por achar que tudo que vem da cultura de massa é alienado, superficial e capaz de oferecer apenas uma experiência estética bastante empobrecida, ou por achar que realmente existe uma alta cultura, que se pressupõe eterna, permanente, como se os cânones fossem extremamente rígidos e nunca maleáveis pelo espírito de cada época”, afirma o Doutor em Comunicação e Cultura pela UFRJ e professor de Comunicação Social da Ufes, Erly Vieira Jr.

O problema é haver preconceito contra aquilo que não se conhece, pelo fato de alguém ter dito que não é bom, que não serve mais, que esteticamente não cabe mais. Nesse caso, estamos diante do preconceito baseado na ignorância.

Só conseguiremos diminuir o lixo cultural se melhorarmos nosso conhecimento, pela educação, assim vamos ter como comparar um outro produto cultural com o altamente consumido, e, quem sabe, escolher o novo ou o que tem qualidade.”
Quanto à qualidade, saindo da visão social de um membro da classe média que não concordar que existe manifestação cultural da realidade dos moradores de uma favela, quanto estes produzem o funk ou Hip Hop.

Quanto à qualidade do que era produzido e que foi tachado como lixo, referenciou o que a casa foi até 1 de janeiro de 2015.
Então, nadamos, nadamos e morremos na praia?

Não. Infelizmente a maioria das pessoas não nada, mas já nasce morta. No nosso caso, não morremos, temos uma nova praia para ser curtida com toda nossa diversidade cultural. Uma praia onde uma revista pode ser um documento e memoria, que uma escultura de Dona Raimunda faltando um braço continua sendo um obra de arte de valor.
Francisco das Chagas e Silva


quarta-feira, 10 de junho de 2015

CONSELHO DE CENTRO DO CERES APROVA MOÇÃO DE REPÚDIO



O Conselho de Centro do CERES Tornou pública a MOÇÃO DE REPÚDIO ÀS MATÉRIAS PUBLICADAS NO BLOG DO ROBSON PIRES, que foi aprovada por unanimidade no dia 29 de maio de 2015 pelo Conselho de Centro do CERES, pela ocasião de sua 4ª Sessão Ordinária.