quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Agente Cultural



Sou suspeito para falar, mais não posso silenciar diante da atividade e da contribuição de Custódio Jacinto durante os ótimos 11 anos, como Agente de Cultura na casa de Cultura Popular de Caicó.

Ele não foi um mero promotor de atividades, ele revelou-se um profissional que provém da esfera pública, teve uma atuação como agente cultural público ou melhor dizendo, da sociedade civil.

Posso afirmar sem medo de erra que o papel desempenhado por Custódio Jacinto foi de agente cultural comunitário, ele se dedicou a insuflar energia na cultura potencial da agremiação na qual ele exerce sua ação. Melhor dizendo, foi um profissional que estimulou, compartilhou e impulsionou as vivências da nossa comunidade produtora de cultura e das pessoas que precisavam bebe dela.

Custódio esteve sempre vinculado, com as iniciativas e procedimentos culturais de nossa região do Seridó e da nossa Caicó, não somente como um gestor de práticas culturais, mas como alguém que direciona sua percepção para a esfera sociocultural, atuando como mediador entre o âmbito público e os grupos comunitários e isso ele fez como um maestro.

Ele foi criativo, explorado, desrespeitado e as vezes ignorados pelos próprios artistas e pela gestão, mais com uma dignidade de poder preparar criticamente um conjunto de pessoas.

Desta forma com a mudanças de governo Custodio deixa o cargo de Agente de Cultura, por achar que sua contribuição foi concluída.

Nós que aprendemos a admirá-lo, esperamos que ele seja preparado para não só trazer em si a capacidade de acumular lembranças coletivas, mas também o dom de ordená-las, por que temos a certeza que ele tem aptidão de compreender a dimensão temporal da cultura.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Descaso aos espaços públicos em Caicó - Existimos a que será que se destina?




Os espaços urbanos de nossa cidade tem evidenciado uma multiplicidade de experiências sociais. Algumas ressaltam a dimensão política, através da cooperação ou do confronto entre grupos, que para demonstra força muda o nome da Conhecida Praça da Liberdade, para um nome de um Senador; outras enfatizam a dimensão estética, como a moderna praça da alimentação, que de um espaço de recreação infantil passou a ser um restaurante a céu abeto onde as pessoas desfilam o seu último look da moda; por fim religiosa ou cívica, experiências relacionadas aos rituais lúdicos, de entretenimento, como o carnaval, o futebol, voleibol, ou ainda, experiências dramáticas, como a violência.

O espaço urbano abriga complexos processos de fluxos de informações, e nele que acontece a sociabilidade, a existência da sociabilidade que compreende a ocupação dos espaços pelo povo, essa ocupação por sua vez demarcam a existência de lugares e não-lugares no espaço urbano indiferenciado e funcionalizado. Quem não lembra a praça do Dom José Delgado (CDS) como era viva e frequentada antes de ser transformada num imensa calçada sem arvores e bancos.  

Nesse universo, o que se pretende é saber de que maneira tais lugares são modificados sem planejamento, como transformam-se em espaço público, e por que deixa de ser, parte-se do pressuposto de que a construção do espaço público, entrelaça grupos sociais e permite uma relação afetiva, vivencias e histórias de vida, há construção de referências, identidade coletiva, que compõem, por sua vez, o que se denomina o conjunto da memória coletiva.

Infelizmente na nossa cidade os espaços não são conservados como deveriam, a cada gestão, muda-se a arquitetura sem considera a estética original e a estética empírica estabelecida entre espaço e público. Muda-se o nome, muda a finalidade, pita o monumento de broxe com esmalte sintético em vez de limpa, quebram regras de segurança, desfigura a arquitetura original.

A ilha de Santana, nosso complexo turísticos está virando uma favela pelos remendos que vem sendo feito, sem nem uma preocupação estética, de mobilidade, de segurança e de planejamento.

O que é notório é que o povo da cidade tem uma relação afetiva com o espaço da ilhar, um exemplo disso foi a virada de ano, que mesmo sem uma atração o povo ocupou o espaço para celebra o ano novo, por outro lado os poderes públicos demonstra total descaso com a conservação do espaço físico, turístico, social e cultural que é a Ilha de Santana e não permite que ele seja o espaço público que potencialmente deveria ser.


sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Como vejo minha cidade?


Clovis Aladim Monteiro e fotografo e Diretor de criação na empresa Valettinho, já trabalhou e conhece várias cidades do mundo, está em Caicó curtindo suas férias e celebrando os festejos de Natal e Ano Novo. Ele escreveu um artigo em uma de suas páginas nas rede social e que demonstra o sentimento de insatisfação com o descaso e o trato com a nossa linda Caicó. Além de várias curtidas, compartilhamento o artigo de Aladim esta repercutido em toda roda de conversa e agora aqui no nosso blog.

Foto do Acervo de Clovis Aladim


Caicó cidade linda?

Temo ser mal interpretado, ou obter por meio deste desabafo uma repulsa. Mas fiquei me perguntando se Caicó é uma cidade que admiro como antes? Será que sempre foi assim e eu nunca tinha visto? Mas assim como?? Vejo sempre que volto ,as pessoas do meu tempo que moravam aqui, nas praças , lojas e supermercados. Algumas tomando sorvetes a tarde ou caminhando na ilha. Essas pessoas continuam mais lindas , elas , ou me incluindo, "nós" estamos sempre lindos. Montados no último "grito" da moda . As peles das garotas são de fazer inveja ao pêssego e os óculos de deixar a última semana de moda invejosa. As pessoas estão e são incríveis! Só se fala em sucesso, em beleza e na vaidade que pairou na terra de Sant'Ana. E eu vou junto! Subo e desço a coronel martiniano atrás do novo Prada e depois saio feliz para a praça dos trailhers, visto minha camiseta nova e vou comer um "daqueles".Tudo estaria perfeito se a cidade não tivesse um único defeito:Caicó não está bonita, arrumada, produzida... Como as pessoas que nelas moram! É destoante! Os banheiros da praça dos trailhers são podres, e não é qualquer latrina que é daquele jeito. A praça , onde se reúnem as pessoas mais bacanas, não parece ser bacana. Fede! Fede! Fede muito! E Fede a desleixo ! Saindo de lá , desço a procura do Natal e vi um presépio lindo, feito por Magao, mas ali, sem um envolucro que envolvesse e respeitasse como artista. Nenhuma luz, nenhuma placa, nenhuma festa e nenhum cabimento foi dado a Magao. Nem foi dada um pisca pisca a cidade... A cidade apagada! A cidade é apagada! Não há comemoração e não se fala em Natal! Festa de ano novo!? Tem!! Mas é privada! Fechada! Para poucos, para nós que somos lindos e podemos pagar. Mas e os outros? Ah! Os outros ficam por ali, vão para a ilha, ou ficam em casa vendo o show da virada. Mas nada disso é pior do que quando você sente na pele o descaso da saúde. Meu pai, passou mal, e muito mal me dirigi até o hospital regional para uma urgência, e lá foi feito um eletro. O eletro não saiu na hora por que a caneta que risca o papel tinha acabado a tinta e não havia outra. O hospital mais parecia um cenário abandonado, sujo e descuidado, com pessoas maravilhosas trabalhando, porém sem dignidade. Me deparo com a música de Chico cesar, que fala "é com e sem, todo mundo e ninguém, pé de xique xique pé de flor" e fico vendo essa diferença, vejo que precisamos acordar, abrir os olhos e tentar fazer algo. Porque eu me incluo nós que não fazem nada. Eu me incluo nós que só pensam em comprar um novo óculos, uma nova roupa , um novo carro e não pensa no comum , no comunitário. Seria lindo acordar e sentir o cheiro não só do perfume ,mas também das praças e dos banheiros, seria incrível que o reflexo dos óculos fossem também do brilho das luzes de natal, seria maravilhoso que a saúde e a educação fosse tratada com a vaidade que nos orgulha tanto em sair de casa. Eu me sinto mediocre e pequeno , e acredito que como eu, deva existir alguém que ama essa cidade e que pensa assim também.
Queria ajudar de alguma forma, e a forma que encontrei hoje foi essa carta. Esse manifesto que talvez não sirva, ou talvez plante uma semente de pensar, de acreditar e quem sabe ,fazer algo... Eu acredito que juntos poderíamos construir uma cidade melhor , já que governantes não sentem cheiro , não enxergam e não "se tocam" ou sequer tocam o coração da cidade. Feliz ano novo Caicó!


Clovis Aladim Monteiro